“Segundo a ótima definição de Júlio Ribeiro, pontuação é a ‘arte de dividir, por meio de sinais gráficos, as partes do discurso que não têm entre si ligação íntima, e de mostrar do modo mais claro as relações que existem entre essas partes’ ” (Napoleão Mendes de Almeida, Gramática Metódica da Língua Portuguesa, p. 570).

“Com Nina Catach, entendemos pontuação um ‘sistema de reforço da escrita, constituído de sinais sintáticos, destinados a organizar as relações e a proporção das partes do discurso e das pausas orais e escritas. Estes sinais também participam de todas as funções da sintaxe, gramaticais, entonacionais e semânticas” (Evanildo Bechara, Moderna Gramática Portuguesa, p. 604).

“A língua escrita não dispõe dos inumeráveis recursos rítmicos e melódicos da língua falada. Para suprir esta carência, ou melhor, para reconstituir aproximadamente o movimento vivo da elocução oral, serve-se da PONTUAÇÃO” (Celso Cunha & Lindley Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo, p. 625).

Levando em consideração as definições acima, podemos dizer que os sinais de pontuação têm por finalidade assinalar as pausas e as entonações na leitura, separar palavras, expressões e orações que precisam ser destacadas – e para fazer esclarecimentos a respeito de algo que se escreveu.

Uso da vírgula

A vírgula é usada para indicar a separação entre termos independentes entre si, quer no período, quer na oração. Desde que a vírgula apenas indique o que já está separado, não podemos empregá-la entre os termos que mantêm entre si uma estreita ligação. Seria erro grave, portanto, colocá-la entre o sujeito e o verbo, entre o verbo e seu complemento, entre o substantivo e seu adjunto adnominal. Assim:

A cidade mais próxima, fica a dois quilômetros. (errado)

A cidade mais próxima fica a dois quilômetros. (correto)

Os habitantes, moravam em barracas de couro. (errado)

Os habitantes moravam em barracas de couro. (correto)

Devem ser separados por vírgulas:

- Vocativos:

“Sabeis, cristãos, por que não faz fruto a palavra de Deus?” (Vieira)

Jorge, venha cá.

- Apostos:

“Iracema, a virgem dos lábios de mel, tinha os cabelos negros como a asa da graúna.” (Alencar)

Nós, cristãos, amamos a Deus.

- Adjuntos adverbiais:

“Uma noite, no seio da cabana, a virgem de Tupã tornou-se esposa de Martim.” (Alencar)

Observação: Não se usa vírgula quando o advérbio, pelo seu sentido, prende-se estritamente ao termo por ele modificado: Moramos ali; Iremos ao Amazonas.

Expressões e palavras correlativas, explicativas, escusativas etc., dada a natureza intercalativa, devem ser colocadas entre vírgulas:

“O amor, por exemplo, é um sacerdócio.” (Machado de Assis)

“Os requerentes, data vênia, entraram.” (Oiticica)

Escapamos, isto é, fugimos.

Conjunções coordenativas, pospositivas: como, porém, contudo, pois, entretanto portanto etc. :

Porém, os estudos foram encerrados.

Os estudos, porém, foram encerrados.

Termos aos quais queremos dar ênfase (geralmente pleonásticos), mormente quando na ordem inversa:

As folhas, levou-as o vento.

Ao homem, deu-lhe Deus a sensibilidade para amar o bem.

Palavras de mesma categoria gramatical (sujeito composto, vários adjuntos, abjetos diretos etc.):

A noz, o burro, o sino, o preguiçoso, nenhum sem pancada faz seu ofício.

Uso da vírgula entre as orações do período: quanto à vírgula separando orações, devemos observar que todas as orações costumam, salvo exceções, admitir vírgula entre si. Por exemplo:

Separando orações intercaladas:

Os soldados, saltando a pulo as trincheiras, fugiam à velocidade espantosa do animal.

Não podemos, dizia ele, pagar o bem com o mal.

Observação: a oração intercalada pode vir também separada pelo duplo travessão e por parênteses.

Separando orações subordinadas adverbiais, quando iniciam período ou se intercalam:

Como Buda disse, tudo é dor.

Ainda que a situação fosse adversa, conseguimos bom resultado.

Quando ela desapareceu, o jovem recostou-se ao tronco da imburana e esperou.

Separando orações subordinadas adjetivas explicativas:

Os homens, que são seres racionais, dominam a natureza.

O juiz, que era íntegro, não se vendeu.

Observação: A oração subordinada adjetiva é aquela que desempenha função típica de um adjetivo, atuando como adjunto adnominal em relação a um nome da oração principal. Exemplo:

Vem sempre associada a um nome e introduzida por um pronome relativo que, o qual (a qual, os quais, as quais), quem, cujo (cuja, cujos, cujas), onde.

Classifica-se em subordinada adjetiva restritiva e explicativa.

Oração subordinada adjetiva restritiva é aquela que, como o próprio nome já diz, restringe ou particulariza o nome a que se refere a todos os elementos do conjunto. Exemplo:

A adjetiva restritiva não se separa da oração principal por meio de vírgula.

Há um conjunto formado por todos os alunos; dentro desse conjunto há um subconjunto formado apenas pelos alunos que passarem na prova; a informação dada pela oração adjetiva que passarem na prova aplica-se apenas ao subconjunto: entende-se, portanto, que os demais alunos (os que não passarem) não serão inscritos. Percebe-se então que esse tipo de oração adjetiva restringe, limita a extensão do termo a que se refere (no exemplo dado, esse termo é o substantivo alunos); daí ser classificada como oração adjetiva restritiva.

Já a oração subordinada adjetiva explicativa é aquela que não restringe nem particulariza o nome a que se refere: apenas põe em evidência uma propriedade interpretada como pertencente a todos os elementos do conjunto a que se refere. Exemplo:

A adjetiva explicativa vem sempre isolada entre vírgulas.

Não se usa vírgula antes de:

Orações subordinadas substantivas:

Esperamos que ele vença.

Não se imaginava que a propaganda seria tão agressiva.

Observação: As orações subordinadas apositivas, quando deslocadas, vêm entre vírgulas.

Exs.: Proferiu o agonizante estas palavras: que nós não o devíamos abandonar.

Estas palavras, que nós não o devíamos abandonar, o agonizante proferiu.

Orações subordinadas adjetivas restritivas: conforme explicação dada acima

Orações ligadas pela conjunção E:

Quando as orações são ligadas pela conjunção E, normalmente se utiliza vírgula. Não obstante, coloca-se vírgula antes da conjunção E, quando:

As orações têm sujeitos diferentes:

A noite caía, e o baile começou.

A 2ª oração repete o conceito da 1ª (pleonástica):

Neguei-o eu, e nego.” (Rui Barbosa)

O E é puramente enfático (polissíndeto):

E suspira, e geme, e sofre, e sua.

O E tem valor de mas (adversativa):

Estudou, e foi reprovado.

Observações:

a) Usa-se vírgula para evitar frases confusas e mesmo equívocas:

“A grita se levanta ao céu, da gente.” (Camões)

“É fácil dar bons conselhos; segui-los sempre, custa mais.” (J. Nogueira).

b) Usa-se vírgula para indicar a elipse do verbo:

“O colégio compareceu fardado; a diretoria, de casaca.” (R. Pompeia)

c) Nas datas, separam-se os topônimos:

Ex: São Paulo, 15 de maio de 2008.

Caixa Postal 14 (correto)

Caixa Postal, 14 (errado)

Rua Boa Morte, 1.242

Apartamento 80

Casa 26

Ponto-e-vírgula (;)

Marca pausa maior que a da vírgula e menor que a do ponto. Para separar os itens de uma enumeração (relação) feita na vertical até o penúltimo item. Para separar os considerandos de uma lei ou de um decreto. Num trecho em que ocorreram muitas vírgulas.

Dois pontos (:)

Antes de uma enumeração. Antes de citações. Nos diálogos de um texto, antes da fala de uma personagem. Antes de um esclarecimento ou explicação. Na invocação das correspondências. Antes de um exemplo. Depois de nota ou observação.

Parênteses ( )

Depois de uma citação, para indicar o nome da obra e do autor de que ela foi extraída. Para fazer uma explicação a respeito de um termo citado no texto. Para incluir no texto letra, número ou sinal (asterisco, por exemplo) indicando nota de rodapé ou nota bibliográfica. Não se usa vírgula antes de parênteses e nem se usa esse sinal para indicar a grafia de uma palavra errada.

Aspas (” “)

No início e no fim de uma citação ou de um trecho/texto transcrito de uma obra. Para indicar o uso proposital de um vício de linguagem. Nos nomes de obras. Em legendas. Para dar ênfase ou destacar uma palavra, expressão ou frase. Se as aspas abrangem todo um trecho, elas devem ser colocadas depois do ponto final desse trecho.

Travessão ( – )

Para pôr em evidência palavras, expressões ou orações. Para introduzir a fala de uma personagem no diálogo. Para indicar trajeto (Estrada de ferro Santos-Jundiaí).

Reticências (…)

Para indicar suspensão ou interrupção de pensamento. Para indicar hesitação. Para indicar ironia, malícia ou qualquer outro sentimento que o autor não quer explicitar (Exemplo: Aqui jaz meu amigo. Ele repousa e eu também…). Para dar tempo ao leitor para que ele reflita sobre o que foi escrito na mensagem.

Fonte: UOL Educação